das vantagens e desvantagens de ser mulher em campo...
Foi a segunda vez que eu pisei num estádio de futebol. Terceira, se eu contar que visitei o Maracanã uma vez num passeio turístico pelo Rio. E lá fui eu, com o Knapp e o Gaudério, cobrir o jogo Santos x Atlético Paranaense pela Taça Libertadores da América, no estádio Vila Belmiro, em Santos, na quarta passada.

torcedor se concentra em jogo e me deixa fotografá-lo
Lá fui eu, grande entendedora de futebol, tentar fazer fotos inesquecíveis de uma partida, sendo que, pra ser sincera, nunca acompanhei futebol na vida. Só assisti a jogos de Copa, mesmo assim perto da final, sempre me esforçando pra dar importância ao placar final...
um clique até que interessante: deve ter sido sem querer
A primeira sensação que tive quando entrei em campo, com uma tele objetiva 300mm 2.8 pendurada no ombro direito e a câmera no pescoço, foi um pouco constrangedora. Faltavam uns 20 minutos pra começar o jogo e eu resolvi fazer algumas fotos da torcida. A cada dois passos que eu dava, escutava berros: “Aê, repórter gostosa”, e outras falas adjacentes. É normal escutar isso no dia-a-dia, mas num estádio de futebol, onde quase só tem homem, a freqüência é tanta que incomoda. Acho que nunca fiquei tão sem graça com esse tipo de comentário. Não conseguia olhar para os lados, cheguei até a baixar a cabeça.
dois jogadores (?) de times opostos brigam pela bola
O bom é que uma hora o jogo começa e eles se concentram na bola. Dá até pra subir na arquibancada e fazer fotos da torcida mais de perto.
Quanto à bola, tomei um banho. Primeiro que não levei monopé. Nunca acreditar nos conselhos do Gaudério, ele é muito brincalhão, preciso me convencer disso. Disse-me que um monopé era absolutamente desnecessário. Mesmo com a posição malandra que ele me ensinou a usar para diminuir o peso da lente, meu pulso sofreu diabos... A estratégia era, segundo ele, ficar agachada com o cotovelo esquerdo apoiado no joelho e a mão segurando a lente bem no trecho mais pesado dela. Funciona, mas por pouco tempo. Até ganhei emprestado o monopé de um fotojornalista de outra agência, que ficou compadecido com a minha situação. Pelo menos no primeiro tempo, pude sentir a diferença. Depois ele tomou o monopé de volta.
Segundo, faltou experiência mesmo. Não tinha como checar as fotos que fiz no mesmo dia, porque estava usando uma câmera de filme e só saímos de lá perto da 1h da madruga. Por isso, no intervalo do jogo e depois dele, passeei pela sala de imprensa apenas para acompanhar o movimento. Todos os fotógrafos (todos homens) naquela correria de enviar foto, tratar imagem... Até peguei um cara mijando com a porta do banheiro aberta... Falta de costume...
Deu pra ver o trabalho de algumas pessoas mais detalhadamente. Conheci um fotógrafo das antigas. Suas fotos eram maravilhosas. “No meu tempo era muito mais difícil, o foco era na mão, tudo era na mão. A gente revelava os filmes aqui na sala de imprensa. Hoje em dia é muito fácil. A máquina faz tudo sozinha, a gente transmite pelo computador e a foto chega na redação em dois tempos”, disse ele. Para mim, não tão simples assim. Quero ir de novo essa semana pra ver se faço melhor...
Escrito por
Maíra
às
14h55
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