pelo menos duas sextas-feiras por mês, à noite, eu faço esse percurso a pé de ida e volta para o Playball da Pompéia, passando pela ponte da Av. Antártica. Na primeira noite, não sabia ainda se era perigoso andar sozinha por esses lados. Assim que cheguei na ponte, percebi uma concentração de carros de bombeiro em cima e do lado de baixo da ponte, ao lado do rio, homens com lanternas. Achei estranho, notei também a presença de uma carroça de material reciclável - cena comum de uns anos pra cá - largada no acostamento da pista. Até que perguntei pra dois meninos que observavam a cena de longe: era um homem tentando se matar.
Obviamente, como alguns me perguntaram, eu já respondo: não, eu não fiz nenhuma foto. Segui viagem, porque o homem estava bem alterado e começou a me dizer desaforos quando cheguei perto dele.
Na volta, ainda naquela noite, estava tudo calmo, não sei dizer o que houve...
Ainda assim, quando ando por essa ponte, sinto uma calma muito grande, como se pudesse gritar sem ser ouvida, como se pudesse ser anônima por alguns minutos...
Escrito por
Maíra Soares
às
11h50
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