O Gustavo colocou uma foto de mim no Fotosalada, blog que ele mantém com um amigo, com fotos dos "bastidores" da profissão...

Favela Jd. Edith, que pegou fogo há dois dias.
A família do S. Ronalfon, que na foto está de camisa azul, foi uma das que teve o barraco queimado. Nele moravam sua mulher, D. Maria Ilza, três de seus filhos e dois netos. As filhas Isângela Maria e Isla Maria são as que eu fotografei (a Isla carrega no colo sua filha, Fernanda, de 1 ano).
Escrito por
Maíra
às
21h44
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Sexta-feira publiquei minha primeira foto na Folha: uma manifestação no vão do Masp marcando o quinto dia de greve da contrução civil, no caderno Dinheiro. Foto simples, sem segredo, ainda assim a primeirona.
Segunda publiquei mais uma, apenas na edição nacional (quem estiver em Porto Alegre e Brasília pode ver) do Domingo na Paulista, evento que a Marta criou em maio do ano passado e o Serra vetou este ano, até este mês, quando voltou a acontecer.
Na verdade, o Moacyr me ligou no sábado falando para eu fazer essa pauta e eu quase achei que fosse um trote. Passei de ônibus cedinho pela Paulista e cadê a manifestação? Cheguei na Folha com um puta mau-humor, achando que fosse trote em trainee. A redação deserta, 8 e pouco da manhã e ninguém pra me descolar uns filmes no laboratório. No final, o evento estava rolando e foi tudo bem, fiz fotos da criançada pintando, brincando com bumerangue, das madames colocando os cachorros pra fazer massagem anti-stress, da galera fazendo ioga e vendo performance de cães mestrados, de uma banda muito divertida e uma mulher que dança com perna-de-pau, além de uma molecada fazendo street dance, que foi a foto que saiu.
Hoje fizemos, o Gustavo, o Leo_Wen e eu, o rescaldo da favela do Jardim Edith, que fica ao lado da favela do Buraco Quente e que pegou fogo ontem, deixando uns 300 e tantos desabrigados. Apesar de todo o cenário triste, foi a pauta que mais gostei de fazer até agora. Conversei muito com a galera, acompanhei uma senhora que perdeu o barraco até a casa da filha, onde ela tinha passado a noite, e fiz uns retratos dela dentro da casa. Reuni uns familiares que perderam suas casas e fotografei-os em cima do terreno vazio, cheio de destroços em volta. Mas a que ficou mais legal foi um contra-luz que fiz dos caras limpando o terreno.
Uma coisa que comecei a fazer agora e que tem sido muito boa é conversar com os fotógrafos da redação na volta de cada pauta, mostrando meus contatos e perguntando a opinião deles, pedindo dicas de como resolver melhor as dificuldades de cada assunto...
Penso em colocar minhas fotos aqui no blog, aos poucos. O lance é que o jornal é uma correria só, como faço tudo em filme, preciso escanear os negativos e tratar as imagens uma por uma. Uma hora eu sento e começo a fazer isso...
Enquanto não faço isso, fiquem com esse auto-retrato, feito no Gamarra, no mesmo rio daquele outro auto-retrato, de alguns meses atrás.
Escrito por
Maíra
às
20h24
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